11/07/2009
10/05/2009
8/04/2009
Canto autografado

Amanha inicia a Feira do Livro de Faro.
No dia dez, nove e meia da noite, o Fernando Esteves Pinto vai estar em público para autografar o canto da casa Privado.
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6/17/2009
Canto traileado
Book trailer de Privado, falsa novela erótica do Fernando Esteves Pinto
Cortesia: Adão Contreiras
Etiquetas: Canto Traileado, Fernando Esteves Pinto, Privado
5/12/2009
Canto ao vivo

Lisboa: dia 15 Maio, 18:30, na Livraria Pó dos Livros
Porto: dia 16 Maio, 18:00, na Fnac Norte Shopping
Etiquetas: Canto ao Vivo, Canto Espanhol, Fernando Esteves Pinto, Privado
3/26/2009
Canto Filmado
Apresentação algarvia de Privado
Etiquetas: Canto ao Vivo, Cumplice do Canto, Fernando Esteves Pinto, Privado, Vitor Vicente
3/22/2009
Canto Comentado
O Fernando escreveu num outro livro seu o que para mim esclarece de alguma forma a razão da sua escrita (ainda que nas palavras de uma personagem de ficção por si inventada). Passo a citar esse trecho (do livro “Sexo entre mentiras”):
“(…) isto sou eu a pensar (…). Apetece-me desmontar pessoas. (…) Tu sabes que eu só escrevo como se fizesse uma limpeza emocional (…). Tenho este hábito de recuperar o humano para me alimentar dos seus fracassos. Estou onde está o sofrimento, tu sabes, mas as palavras são ainda a minha defesa. Sempre quis saber muito sobre os outros, muito para além do humano, e agora julgo não saber nada sobre mim, nada numa terrível consciência de viver por eles as suas tristezas. Quem me lê não imagina o sofrimento que foi preciso condensar num tempo escrito para que tudo voltasse a ter uma vida que escapasse à ficção de existir no meu pensamento. Peço silêncio para as minhas palavras.” Duas ideias-chave a destacar do que se disse: A vontade de desmontar pessoas (de percebê-las) e a escrita como limpeza emocional.
O Fernando não perde tempo com temas fáceis, com questões de algibeira, com matérias dóceis. O pensamento, a reflexão, a repercussão do olhar, os desequilíbrios interiores, as fragilidades, as debilidades das relações humanas, as fraquezas e as obsessões são assuntos transversais nos seus textos. Talvez por isso a sua escrita seja uma escrita psicológica, marcadamente circunspecta, onde as evidências da vida são reveladas por vezes de forma nocturnal mas com um realismo despido de preconceitos, e tratadas com um ligeiro toque de sarcasmo, fazendo-nos tantas vezes rir de nós próprios, da nossa pequenez. Este livro que aqui nos reúne é mais uma vez testemunho disso mesmo.
“Privado” é um ensaio ficcionado que retrata a vida de um casal desgastado, corrompido pelo passar do tempo, pelo tédio e pelas rotinas de vinte anos de vida em comum. A “familiaridade afectiva” (palavras de FEP) que se criou em torno destas duas pessoas, em substituição da paixão dos primeiros tempos, fez com que o sexo entre quem já se conhece demasiado bem se tivesse tornado um lugar desconfortável, visto terem deixado de existir a sedução e o desejo, dando lugar à monotonia, à insipidez, ao enfadamento. A sexualidade transformou-se num frete, fruto da sucessão dos dias que tornaram a vida fastidiosa, fruto da morte progressiva do erotismo.
Através do narrador que progressivamente nos vai introduzindo na história conjugal de Olga, uma mulher mal amada pelo marido, que se entrega a um sem número de fantasias como forma de inventar uma nova relação e de passar por cima do descontentamento, vamos percebendo o “compromisso de enganos em que se traduz este amor”, viciado e desgastado pelo tempo. O narrador aqui funciona quase como um psicólogo (e este é o traço mais marcado na escrita do Fernando) que, através de uma escrita densa, profunda, de confrontação, vai questionando constantemente as verdades da vida, desta vidinha que todos levamos, do que nos move, do que nos percorre, daquilo que não se diz, do que faz falta dizer, do que se pensa, da forma como se pensa. Assim, nota-se em toda esta obra uma profunda análise dos afectos, das questões colocadas pela consciência da personagem, da perversidade das suas fantasias como forma de contornar a artificialidade e da decadência sexual deste casal que tenta enganar os sentimentos reais a pretexto de um matrimónio estável, como se quer.
Assim sendo, as tentativas por parte de Olga no sentido de recuperar uma sexualidade honesta, sincera e acima de tudo real, parecem-nos por vezes ridículas, mas colocam-nos perante um drama em que tão facilmente nos revemos, da necessidade de afastar o tédio através da quebra da rotina. É nesse sentido que Olga inventa jogos de sedução frustrados entre o casal; que tenta até recorrer à violência simulada como forma de estimular o desejo, encenando uma sexualidade sem regras mas onde as regras já estão mais que pré-definidas, propondo o visionamento de filmes pornográficos mas onde o estímulo se esvoaça logo à partida em resultado da impossibilidade de sentir o mesmo fogo das personagens das películas. Imagina ainda provocações dissimuladas em desejos carnais onde joguinhos risíveis mais não logram do que evidenciar as verdades manifestas do cansaço dos dois.
Talvez por tudo isto o narrador não use nunca a expressão “fazer amor” entre este casal, preferindo termos como a “cópula” ou outros mais lascivos (como “foder”) no sentido de, por um lado, evidenciar o facto do sexo entre este casal se ter tornado numa obrigação conjugal, e de, por outro, apresentar ao leitor a dimensão real do afecto entre os dois, onde o empachamento da relação fez com que o amor se esfumasse, dando lugar a uma mera carência fisiológica. Nesse sentido e de uma forma brilhante, o narrador dá o exemplo de, num daqueles dias, ao marido de Olga lhe apetecer simplesmente (e passo a citar):
“ter sexo, mas uma coisa rápida e directa, sem preliminares. Um acto que não implicasse a procura do prazer através duma poética da sexualidade. Aproximar-se e desfrutar o corpo de Olga, como se não tivesse de analisar exaustivamente a própria poesia do instante. Olga também não estava para complexidades. A abordagem simplificada, instintiva e primária elevava-a a um ponto mais alto na escala do erotismo. Não haveria lirismo encenado nem fingimento a encobrir o aborrecimento e a preguiça.”
Tudo, portanto, na mais pura da sinceridade, entre os dois. Seria apenas (desculpem a expressão) “descarregar” e já está. Até porque, como diz o narrador-Fernando num momento mais à frente, num outro apontamento quase psicanalítico, “o sexo não programado é um bom motivo de experimentação neste tipo de atitude. Evita-se uma sobrecarga psicológica, sem culpa formada sobre quem deu ou recebeu mais prazer. A preparação intensiva num acto sexual pode levar a um enfraquecimento do desempenho. Mas também pode ser uma causa de prematuridade orgástica”. Como se o que na realidade fizesse falta fosse um pouco de imprevisibilidade, de romper com o estabelecido, de uma reinvenção. Observe-se esta constatação de uma profunda exactidão, escrita numa poética sublime, sobre a sexualidade possível entre este casal, no fundo de tantos e tantos casais que se imaginam outros como forma de reinventarem a sua sexualidade: “O amor que eles sentiam um pelo outro era mesmo uma fantasia. Eles não se amavam. Eles favoreciam as suas próprias necessidades sexuais numa troca de corpos para que cada um deles pudesse sonhar à sua maneira. O sonho de ambos era uma galeria de imagens provocantes que os fazia sentir na presença de estranhos”. Recuperando uma afirmação do Fernando presente num outro livro seu e a propósito do que se disse, (novamente do “Sexo entre mentiras”), “o amor é uma guloseima que se derrete no coração. Se soubéssemos tudo sobre a pessoa que amamos, se calhar nunca tínhamos querido amá-la incondicionalmente. O amor dura enquanto ainda houver matéria desconhecida no outro”. Já se percebeu que o tema da sexualidade está muitas vezes presente na escrita do Fernando, e muitas vezes sob a forma da sexualidade no limite da tolerância, a sexualidade corrompida ou por outro lado, a sexualidade necessária.
Em Privado encontra-se uma estrutura semelhante em todos os capítulos, baseada mais ou menos na seguinte fórmula: primeiro o narrador introduz um problema na relação conjugal do casal (que poderia ser um qualquer casal que se ature há muito tempo), para de seguida o abordar, problematizando-o do ponto de vista psicológico, sugerindo por fim uma maneira / uma forma do casal lidar com ele, expondo as contradições, a degradação das atitudes, a dissimulação, a impostura, a incapacidade em contornar a questão enquanto ao mesmo tempo prefere continuar a ignorá-la. Se pensarmos bem, este método é utilizado também pelos psicólogos.
Assim sendo, é fácil qualquer um rever-se nestas problemáticas apresentadas no livro, pela precisão com que o Fernando aqui a apresenta. Interessante é o facto do livro estar dividido em 31 capítulos, tantos quantos os dias de um mês, como se cada capítulo tratasse um problema (ou os problemas de um dia, se quisermos) com que um casal se depara. Mais interessante ainda é o facto de no primeiro, Olga começar por se lamentar porque acha que o marido tem outra mulher, para, no último, essa mesma Olga acabar por recuperar o desejo sexual, revitalizando a relação, acabando se quisermos, de certa forma, preenchida sexualmente (e afectivamente). Podemos imaginar que no capítulo seguinte, que acabaria por ser o primeiro dia de um novo mês, ela voltasse outra vez ao mesmo estado de espírito, incerta no amor, cheia de dúvidas, com falta de se sentir amada.
Por fim, de referir somente que é sublime a forma com que o Fernando nos apresenta esta vidinha em que nos corrompemos e nos enganamos a nós próprios, esta realidade tão universal, apresentada numa linguagem tão acessível e clara, por vezes com uma poética sedutora, por vezes áspera, por vezes irónica, numa atitude quase de sátira com o ridículo das atitudes comportamentais. São textos pequenos mas intensos, carregados de verdade e de precisão. Dizer apenas que a pornografia contida neste livro não decorre do facto do tema andar à volta da sexualidade, decorre sim, da realidade ser ela própria pornográfica, como se diz no próprio livro. Henrique M. B. Fialho recordou no excelente prefácio as palavras do filósofo francês Michel Onfry que escreveu a este propósito: “casar [talvez mais não seja] (…) do que arranjar forma de lidar com a vida na base da ilusão, da mentira e da hipocrisia.” E, como diz o mesmo Henrique, “agora o melhor mesmo, é não pensar muito neste assunto”.
Texto escrito e lido pelo Miguel Godinho, na
Apresentação algarvia de Privado
falsa novela erótica do Fernando Esteves Pinto
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3/21/2009
Canto fotografado
Nas três fotos, podem-se ver estes três:Miguel Godinho, Fernando Esteves Pinto e Vitor Vicente
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3/20/2009
Caminho do Canto
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Depois afundar-me-ei em Portugal, até ao Algarve.

Antes de regressar à Catalunya, jantarei com o autor do novo canto da casa.
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3/16/2009
Canto ao vivo

Sexta, às 21:30 de 20 de Março, na
Pátio de Letras
APRESENTAÇÃO ALGARVIA de
Privado, falsa novela erótica do Fernando Esteves Pinto.
Terá a palavra pública Miguel Godinho.

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2/23/2009
2/20/2009
Canto Citado

Privado, um título que em si parece fechado, inacessível, foi afinal motivo para umas boas gargalhadas durante a sua apresentação. Fernando Esteves Pinto, autor, explicou que este foi lançado pela editora Canto Escuro “que é afinal onde estão as editoras independentes”, gracejou. “Tem uma capa atraente, é capaz de vender, da autoria de Manuel Almeida, que fez também a contracapa mas que já não soube fazer a lombada.” Ironizando ainda sobre as mudanças físicas que sofreu durante o período de escrita do livro, Fernando Esteves Pinto explicou que Privado nasceu de um blog que mantinha e para onde as pessoas foram enviando as suas histórias. “São pequenas histórias conjugais com uma vertente de sexualidade e psicológica.” E para o fim, deixou um pedido “não tenham pudor em comprar um livro sobre sexo, porque afinal toda a gente alinha.”
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Já lá cantam II

Os novos cantos da casa, Privado, falsa novela erótica do Fernando Esteves Pinto e Efeitos Secundários, poemário sobre o tratamento da hepatitis C, do Antonio Martínez i Ferrer, já cantam nas livrarias portuenses Gato Vadio e Utopia.

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Canto Fotografado
Antonio Martínez i Ferrer, Vitor Vicente e Fernando Esteves Pinto, acompanhados dos respectivos cantos da casa

AMiF, VV e FEP na Livraria Trama
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2/07/2009
Já lá cantam I

Os novos cantos da casa, Privado, falsa novela erótica do Fernando Esteves Pinto e Efeitos Secundários, poemário sobre o tratamento da hepatitis C, do Antonio Martínez i Ferrer, já cantam nas livrarias lisboetas Alexandria, Artes e Letras, Letra Livre, Mercado da Ribeira e Trama.

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2/04/2009
Festas de Fevereiro
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Amanhã embarco para Lisboa. A tempo d`star na Trama, no próximo sábado, sete, às seis da tarde, para a apresentação pública de Privado, do Fernando Esteves Pinto e Efeitos Secundários, do Antonio Martínez i Ferrer.
A dupla festa repete-se na terça-feira dez, mas desta vez será repartida . O lançamento promovido pela Sos Hepatites de Efeitos Secundários , tem lugar no Atrium Saldanha, em Lisboa, às cinco da tarde e o lançamento de Privado, ocorre às dez da noite, nas Correntes de Escritas 2009, na Póvoa do Varzim. (Caros convidados das Correntes, não vos apoquentais, pois estarei no lançamento lisboeta).

Estarei no Porto todo o dia onze. A doze pulo do Porto para Paris, com a cúmplice da casa Cris.

A fiesta finda em Valencia, na Libreria Primado, a 27 de Fevereiro, pelas sete e meia da tarde, com o lançamento espanhol de Efeitos Secundários. Mas há mais, sim que há mais, em Março.
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2/03/2009
Privado feito público III
Apetecia-lhe ter sexo, mas uma coisa rápida e directa, sem preliminares. Um acto que não implicasse a procura do prazer através duma poética da sexualidade. Aproximar-se e desfrutar o corpo de Olga, como se não tivesse de analisar exaustivamente a própria poesia do instante. Olga também não estava para grandes complexidades. A abordagem simplificada, instintiva e primária elevava-a a um ponto mais alto na escala do erotismo. Não haveria lirismo encenado nem fingimento a encobrir o aborrecimento e a preguiça.
O sexo não programado é um bom motivo de experimentação neste tipo de atitude. Evita-se uma sobrecarga psicológica, sem culpa formada sobre quem deu e ou recebeu mais prazer. A preparação intensiva num acto sexual pode levar a um enfraquecimento do desempenho. Mas também pode ser uma causa de prematuridade orgástica.
Em relacionamentos degradados e pobremente investidos de imaginário, o sexo é a capa do livro que se tem entre as mãos e que nunca se lê até ao fim. A aproximação ao corpo é a busca anestesiante do paraíso mental que prolonga a sexualidade e lhe dá um sentido mais intenso. É a viagem circular do prazer. Sem preliminares não existe a consciência da vertigem. O sexo é a forma urgente do esgotamento. Desenvolve-se a crueldade como subsistência emocional.
Representantes da nova vaga de comportamentos e produtos super rápidos: sexo, pizza e amores desfeitos – eles já estavam preparados para embarcar num cruzeiro sentimental, não necessariamente por essa ordem.
Fernando Esteves Pinto, in Privado
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1/27/2009
Privado feito público II
Normalmente, para Olga a duração do acto sexual prolongava-se para além do suportável, com pausas estratégicas para mudança de posição e recuperação dos níveis de apetência sexual. Nesse momento, o silêncio era uma página escrita com as indicações da vizinha fodilhona. Olga memorizava tudo para posterior ensaio com o marido, mas o grau de dificuldade em visualizar o que as palavras da rapariga murmuravam levavam-na a imaginar-se numa situação em que o acto sexual seria uma perversão artística de Gustav Klimt.
Olga nunca poderia compreender que os gemidos que a enfeitiçavam eram o prolongamento do corpo da rapariga. Cruzara-se com ela várias vezes nas escadas do prédio e achara-a vulgar e pouco atraente. Tinha uma voz quente e invulgar nos cumprimentos que lhe dirigia, e talvez essa particularidade fosse o seu lock quando estava completamente despida. Toda a luxúria residia na sua voz, e os vários namorados que frequentavam a casa dela eram possuídos por aquele trinado encantador. Está encontrada a explicação.
Já no fim da queca é que a melodia desafinava, pois eram três a cantar a mesma música e a gemer um refrão orgástico como se fosse um fado de prazer e solidão.
Fernando Esteves Pinto, in Privado
P.S. Apresentação pública de Privado, a publicitar em post próximo.
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1/14/2009
Privado feito público I
Olga estava intrigada com uma situação que lhe ocorrera durante um acto sexual com o seu companheiro. Será que os casais com uma relação idêntica à dela, consideravelmente longa e saturada por todo o tipo de acontecimentos desprezíveis, ainda se olham como marido e mulher ou, por força da intimidade social (sexo, filhos e discussões), começam a revelar-se como dois irmãos mais velhos sobrecarregados de problemas familiares de difícil resolução?
No campo da sexualidade é um desconforto pensar-se que o casal gere os destinos da família e os prazeres dos lençóis como seres do mesmo sangue. No entanto, Olga sentia-se afectada por essa proximidade familiar e conjugal. Consciente do respeito paranóico que sentia por ele durante o acto sexual, nunca Olga conseguira libertar-se totalmente e revelar a mulher possante que existia dentro de si.
O respeito é um sentimento insolúvel quando se trata de sexo. É também um péssimo digestivo sexual. Uma mulher que vai para a cama com a sensação de respeito em relação à sua própria sexualidade, ou é santa ou mentirosa. Se é santa, oferece ao seu companheiro o altar do seu corpo e os gemidos de prazer são rezas interiores que murmuram no seu coração; mas se for mentirosa, deixar-se-á possuir por trás, resguardada do olhar de quem a fode.
Olga tinha uma fantasia que provava isso mesmo: imaginava-se deitada no seu quarto quando era visitada por um amante imprevisível: nem sonho nem pesadelo. Fantasia posta de parte, Olga transformava-se na mulher que a objectiva conjugal tinha pudor em registar. Exposta na cama numa configuração carnal do pecado, argumentando um desejo de masturbação irresistível, o seu corpo era o enigma sagrado da sexualidade reprimida. A sua imaginação tomava a forma de uma farsa da própria sexualidade. E Olga entregava-se à fantasia com todo o seu delírio e perdição.
O que sobrava para o marido, na monotonia das noites intermináveis, não ia além da nudez familiar de Olga e da sua respeitabilidade sexual.
Fernando Esteves Pinto, in Privado
Etiquetas: Canto Espanhol, Fernando Esteves Pinto, Privado























