5/07/2006

Encontro de Gerações

Na passada quinta-feira, dei corpo mas não dei alma à geração de 90, nas comemorações dos 45 anos da Escola Secundária de Casquilhos, integradas na semana cultural intitulada Comercuzolhos.

«A Bebiana, minha ex. prof de História e agora minha amiga, leu um texto sobre mim. Eu não li nada para eles, mas vou transcrever um dos textos que escrevi para a escola enquanto aluno e que motivaram o texto da Bebiana.

Primeiro o texo da senhora. Depois o meu texto teen.

No início da década de 90, a ESC teve uma nova biblioteca – instalações recuperadas, novo material audio-scripto-visual e respectivos suportes.
Passou a chamar-se BE/CRE...

Sinal dos tempos - havia alunos que, ao dirigirem-se para os computadores, se arrepiavam por terem de passar entre livros...

E houve o Vitor. Na BE/CRE, encontrou os livros que procurava e que satisfizeram o seu imenso desejo de descoberta!!!
Aí, viu o regulamento do Concurso DN Jovem – concorreu e ganhou! Tal como obteve um 1º e 2º prémios num concurso promovido pela Esc. Sec. Alfredo da Silva!!!

Para motivar a Comunidade Escolar, criou, com caracter mensal, as “Sugestões de Leitura”, com base em obras existentes e de acordo com as suas preferências!!! Para incentivar a leitura....

Mais tarde, criou um blog, escreveu 2 livros e fundou uma editora – a Canto Escuro, que já publicou 5...

Como me disseram na Livraria Bocage “é o nosso escritor barreirense!”...

E hoje, está aqui connosco!!!
É o VITOR VICENTE! E foi um assíduo frequentador da BE/CRE!!!»

Sugestões de Leitura
Mês: Maio
Obra: Iluminações/ Uma Cerveja no Inferno
Autor: Jean-Arthur Rimbaud

Iluminações é um conjunto de textos poéticos escritos durante os trinta e sete anos de vida do poeta, – embora grande parte seja atribuída à sua adolescência. – que influenciaram movimentos posteriores como o Simbolismo e o Surrealismo.
Uma Cerveja no Inferno foi escrito após o fim da conturbada relação do poeta com Paul Verlaine. Rimbaud (1854-1891) criou um inferno à sua volta e escreveu poemas espasmódicos, histéricos e embriagados de loucura. O texto é desconexo, pouco ou nada linear, contingente – é um grito de revolta e de fúria!
Contudo, o que viria a ser este livro começou a ser escrito aos quinze anos de idade do poeta francês, contando com dezanove quando o publicou. Antes o poeta já tinha passado por experiências com a droga, o alcoolismo, a prisão, a boémia, a errância.
Arthur Rimbaud mergulha na blasfémia, na auto-penitência,– pelo seu orgulho, pelo seu desdém, pela sua ira.- sendo um verdadeiro anjo maligno. Este livro valeu ao poeta a aura de Poeta Maldito,– ao lado dos “danados” Charles Baudelaire, autor do livro de poemas As Flores do Mal; Paul Verlaine, autor dos Poemas Saturnianos; Lautréamont, autor dos misantropos Cantos de Maldoror.- que é atribuída aos que, entre outras coisas, renunciam à lei de Deus, adoram Satanás, ofendem a moral, são avessos à raça humana.
A tradução está a cargo de Mário Cesariny, que é um dos mestres do Surrealismo português.
Rimbaud é o poeta cínico, irreverente, um diabrete travesso caído no abismo. Uma Cerveja no Inferno é o testemunho autobiográfico da viagem de um adolescente ao Inferno, aquele que, enquanto deambulava pelas ruas parisienses, escrevia a giz nas paredes e nos bancos públicos “Merde Peur Dieu”.

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