5/19/2005

Esses Dias Continuados II

Que eu chegue tarde ao trabalho, faz parte da minha rotina e não constitui razão de espanto para os meus colegas (uma vez que me vejo rodeado de dez gajas para um gajo, preferia dizer as minhas colegas, mas o machismo da língua portuguesa não mo permite...).
Que eu chegue tarde e a más horas, ah bom, isso é outra conversa.
Ao entrar na biblioteca, que é onde improvisei o meu gabinete, qual soldado enfiado numa trincheira num cenário bélico, deparei com a Dona Zulmira, a funcionária deste espaço da escola, a ler, toda indignada, passagens da página 127 do meu livro à professora Fernanda que se ia rindo por dentro. A mulherzita estava furibunda com o meu fetiche sexual por grávidas - melhor, ou pior: em assumi-lo desbocada e insolentemente, como se me referisse a um prazer gastronómico. Ao que parece, foi uma professora que lhe chamou a atenção para a «ordinarice», para a falta de respeito à vida e às crianças, bla bla bla escarrapachado na campanha contra a legalização do aborto.
Como se esse texto destoasse do todo e fizesse cair a coerência !

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